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PUBLICADO EM 08.06.2016 - 13:45

Causo no Sat’s entra para a história do Rio

sats

As madrugadas etílicas no Galeto Sat’s reservam histórias impagáveis da boemia carioca

Principal birosca da madrugada carioca, o Galeto Sat’s, em Copacabana, é um celeiro de boas histórias. Reduto de músicos, jornalistas e vagabundos em geral, o bar de Sérgio e Elaine Rabello já tem seu capítulo escrito na vida boêmia da cidade maravilhosa. Ali acontece “de um tudo”. O mais novo bafafá, que se deu na semana passada, já corre as esquinas cidade como algo inédito neste balneário de São Sebastião.

Aos que não conhecem o pedaço, informo que o bar raramente fecha as portas. Quando isso acontece, por volta das 6h, é apenas para o que chamam “troca da guarda”, ou seja, o fechamento do caixa e a liberação dos funcionários para a chegada do turno da manhã. Não é um evento fácil de se realizar. Apelidado de “Caverna do Dragão”, referência ao antigo desenho animado onde havia um “buraco” do qual os personagens jamais conseguiam sair,  o Galeto Sat’s é daqueles lugares onde chegar é fácil, mas sair é uma tarefa hercúlea. Os garçons não deixam. Se os proprietários estiverem, torna-se impossível. Ninguém sai. E acabou. Não tem conversa. Aliás, tem conversa. Muita conversa. E chope.

Foi o que aconteceu na semana passada. Serjão estava na casa e decidiu tomar uma meia dúzia com o Agnaldo, o garçom, e mais alguns clientes, já pelas 7 da manhã e com as portas arriadas. Encerrado o barril, cada um tomou rumo de casa tranquilamente, sem imaginar o que estava por vir. Até a turma da manhã chegar.

Faxina feita, salão lavado, balcão asseado, churrasqueira guaribada, chegou a hora do banheiro, cuja limpeza ficou a cargo do Adriano. Ao entrar, um berro. “Um cadáver na privada”, pensou o jovem. Mas não. O cliente estava vivo, dormindo abraçado a um rolo de papel higiênico, aconchegado como se estivesse numa cama king size com lençóis de seda pura.

O colunista aqui, espantado com a história, foi buscar algo parecido entre alguns dos que mais entendem da boemia carioca, caso do sambista Moacyr Luz e até Juarez Becoza, referência em coluna de biroscas no país. Afinal, num caso como este, é preciso checar inclusive com a concorrência. Os dois nunca tinham presenciado cena parecida. Moacyr, às gargalhadas, lembrou de um fato também pitoresco, mas que nem de longe se assemelha à fatídica noite do galeto copacabanense.

“Já tinha visto de tudo na vida. Pelão, produtor musical que descobriu o Cartola, tinha uma sede impressionante. Uma pena vocês não se conhecerem. A média de chopes no Lamas, por noite, era em torno de cem. Por baixo. Quando mudava, era cerca de 30 ou 40 cuba-libres. Por noite. É só chegar ao Lamas e perguntar. Bebia até cansar. Quando cansava, pedia o tradicional bife à milanesa da casa. Mas não era para comer. Era para dormir!!! Dormia em cima do bife!!! Dizia que era quentinho!!!! (gargalhadas)”, contou Moa, outro cujo cartel de histórias (e chopes) nesta cidade parece inesgotável.

Ícone do jornalismo das madrugadas etílicas, Juarez Becoza diz que tem um caso que chega perto, mas não a ponto de alguém dormir no banheiro com o bar fechado, abraçado a um papel higiênico.

“Tenho um amigo que, sempre que ficava muito bêbado no bar, ia “pro quarto dormir”. Achava um canto vazio na birosca, um banco, duas cadeiras ou mesmo um espaço debaixo de uma mesa, deitava e dormia. Mas com um detalhe: como era um cara metódico, sempre tirava a calça, dobrava cuidadosamente, colocava do lado da “cama” e desabava de cueca. Certa vez, um sacana levou a calça embora. Ele voltou para a casa, de manhã, de cueca pela rua. Fato verídico. Foi bater na minha casa pedindo uma bermuda. Já faz mais de 20 anos isso. E o safado nunca me devolveu a bermuda…”, recordou Becoza.

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