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28 de agosto de 2015

O “balneário” do Recreio

Ainda hoje a distância dá preguiça só de pensar, mesmo com as largas avenidas de acesso, BRT, BRS e outras siglas de transporte público. Imaginem em priscas eras, quando o jeito era pegar lotação? Falo do Recreio dos Bandeirantes – com esse nome pomposo que eu achava, e ainda acho, tão apropriado. Ir lá ainda soa como uma aventura, uma saga tipo “entradas e bandeiras” que a gente aprendia no colégio. Outro dia contei aqui neste cantinho que muitas vezes eu e meu primo Sérgio pegamos ônibus com prancha para encarar as ondas no Pontal do Recreio, onde parecia que o mundo findava. Depois dali era difícil imaginar traços de civilização – o que despontava para lá do morrão de pedra era o paraíso selvagem de Prainha e Grumari.

Lembrei dessas proezas juvenis esses dias, quando um amigo postou no Facebook uma foto antiga do Pontal (abaixo), onde brilhava com todo o seu esplendor o Restaurante Âncora. Para nós, à época surfistas de prancha ou peito, com o dinheiro contado da passagem, o Âncora era uma espécie de porto seguro, onde a gente bebia água ou se socorria de qualquer sufoco. Os garçons eram camaradas. Éramos nós e aquelas famílias que iam lá almoçar como programa de fim de semana, para comer o carneiro à caçadora (de criação própria, como o restaurante fazia questão de alardear) e uma paella que deixava a rapaziada com água na boca só de sentir o cheiro lá na areia.

Tudo em volta do Âncora, aliás, era um grande areal. Cada fusquinha que passava, cada Gordini, cada kombi de lotada, a poeira subia. Não tem mais Vemaguet (adorava esse carro, meu tio Dirceu, pai do Sérgio, tinha um), não tem mais Aero Willys, e o Âncora sumiu na poeira do tempo com seus carneiros e sua camaradagem. No “balneário” do Recreio saiu o charme de uma aventura de fim de semana para ficar aquele jeito concreto e vidro fumê de prolongamento da Barra. Filosoficamente falando, pelo menos para mim, o Pontal do Recreio ficou ainda mais distante. Dá preguiça só de pensar.

Âncora

Postado por Alexandre Medeiros às 5:28 pm