twitterfeed
PUBLICADO EM 08.03.2017 - 8:32

Sem obstáculos para frear uma mulher

Assessora jurídica da Prefeitura de Nova Iguaçu não encarou perda de visão como empecilho à vida profissional

A superação, garra e força de vontade. Palavras não faltam no dicionário, mas estão longe de definir com perfeição o empenho da trajetória da advogada Stephanie de Araújo, 31 anos, para vencer os desafios impostos pela Amaurose Congênita de Leber (ACL). A doença degenerativa da retina causa a perda grave de visão desde o nascimento. A dedicação resultou no convite para ocupar o cargo de assessora jurídica na Prefeitura de Nova Iguaçu. Ela arregaça as mangas das 9h às 17h. Com certeza Stephanie é um nome de destaque, hoje, Dia Internacional da Mulher.

“Tenho um computador com programa que transforma as mensagens de texto em de voz. Respondo a todas. Também tem um sistema especial no meu telefone que permite ouvir e responder tudo que recebo pelo WhatsApp”, revelou a profissional. Além da tecnologia, ela conta com Eduardo Lima, de 24 anos, seu fiel escudeiro para responder a pedidos de informações para órgãos como o Ministério Público, o Tribunal de Contas do Estado e até reuniões no Poder Judiciário.

Tecnologia ajuda no trabalho diário de Stephanie de Araújo, além de seu fiel escudeiro, Eduardo Lima | Foto: Daniel Castelo Branco / Agencia O DIA

Tecnologia ajuda no trabalho diário de Stephanie de Araújo, além de seu fiel escudeiro, Eduardo Lima | Foto: Daniel Castelo Branco / Agencia O DIA

Filha do desembargador Mário Guimarães Neto, ela lembra que o pai sempre a alertou sobre os desafios da profissão. “Fiz um período de Jornalismo. Quando decidi fazer Direito, ele sempre falava sobre como é difícil o mercado de trabalho”, contou Stephanie, que também abriu um escritório.

Para o procurador-geral do Município, Rafael Alves de Oliveira, o trabalho da advogada é fundamental para manter o diálogo com outros órgãos. “Temos 25 mil processos, responder as demandas de informações de vários órgãos, que é grande, a longo prazo, impede nova ações judiciais. Isso é importante”, avaliou Oliveira.

Para abrir espaço para outros portadores de deficiência, o prefeito Rogério Lisboa, do PR, afirmou que alertou às 16 secretarias sobre a busca por novos talentos. “Tem que ser capaz. Já avisei aos secretários sobre isso”, explicou Lisboa.

A busca por espaço sempre foi uma das metas da advogada. Ela argumenta que conta com a ajuda das pessoas, mas não perde o foco. Em 2004 entrou para a faculdade de Direito. Estudou para concurso, chegou a cogitar ir para a Bahia assumir um cartório, mas abandonou o projeto quando já havia sido classificada para a prova oral. Pesou o fato de ficar longe da família, que é de Nova Iguaçu. “Almejar e conquistar são coisas que andam de mãos dadas para você realizar”, ensinou Stephanie. E mais: “Fui alfabetizada em braile, mas hoje a tecnologia ajuda muito e abre possibilidades. Então, há limites, não podia fazer medicina, por exemplo, mas há sempre caminhos possíveis”.

Mais respeito ao deficiente

“O respeito ao portador de deficiência está aumentando”, ressaltou a titular da Coordenadoria de Promoção de Igualdade de Oportunidades e Eliminação da Discriminação no Trabalho, do Ministério Público do Trabalho (MPT), a procuradora Luciana Tostes. Ela apontou que a Lei 13.146/15, o Estatuto da Pessoa com Deficiência chegou na esteira da Convenção da ONU, em 2007, que tratou sobre os direitos da pessoa com deficiência.

Desde de 1991 que existe a Lei 8.213/91 que determina cota para deficientes nas empresas com 100 funcionários. A procuradora explicou que há ações do MPT e do Ministério do Trabalho e Emprego para que a cota seja cumprida. O MPT criou o site www.pcdlegal.com.br, acessível para todos. “É importante que o portador de deficiência trabalhe com todos. O mundo é assim”, afirmou.

Publicidade