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PUBLICADO EM 29.03.2017 - 13:17

Otelo e as garras do ciúme

Sabe Shakespeare? Pois. Gosto de ler Shakespeare de vez em quando. Não entendo nada de nada, muito menos dele, mas é sempre uma boa surpresa voltar a seus dramas e comédias. Li poucas peças, nunca vi num teatro. Sou fã de leituras, vocês sabem. E fico na superfície, sabem também. Por isso que não me meto em analisar profundamente a obra de ninguém, justamente pra não correr o risco de me perder e falar besteira. Milhares de outros comentaristas têm esse talento. Além disso, cada leitura é impessoal e intransferível, e minha tarefa aqui é só indicar leituras que me deram prazer.
Daí que o “Otelo”, do Shakespeare, foi mais uma dessas leituras. Um drama, uma tragédia – mas eu sempre acho que existe humor em tudo.
Otelo é um general valente, reconhecido. Negro. Está em Veneza, casa-se com Desdêmona, uma mulher deveras interessante. Iago, seu braço-direito, é um sujeito ciumento. Quer subir na carreira e, para isso, faz suas armações tentando tirar Cassio do seu caminho. Será que vai conseguir?
Muito muito muito muito pobremente, é essa a base da história.
Mas Iago é um personagem muito intrigante, que sabe dominar os outros. Sob as garras do ciúme, Otelo é menos forte do que a fama faz parecer. Desdêmona é a filha que contraria o pai para casar com o forasteiro negro. Não sei até que ponto se mantém tão à frente de sua época, mas tampouco é uma personagem de se jogar fora. E por aí vai.
Enfim, fica mais essa dica. Falar que esses tipos encarnam a covardia, ou a esperteza, ou o mau-caratismo, ou isso ou aquilo ou aquilo outro… seria chover no molhado. Fico, então, na superfície – mas, ao menos, não deito regras à toa.
Se a intenção é mergulhar mais profundamente na peça, minha sugestão é a edição da Pinguin Companhia, com tradução, introdução e notas de Lawrence Flores Pereira, além de um ensaio muito instigante do W. H. Auden. Aí sim, é um mergulho prazeroso não só em “Otelo”, mas também em Shakespeare. Vai dar vontade de ler tudo novamente.
Coisa fina.

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