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PUBLICADO EM 06.06.2017 - 16:23

Para o Dia dos Namorados

Eu sei, o Brasil faliu e o planeta também não vai nada bem. Por isso, considerando a proximidade do Dia dos Namorados, esta coluna colabora com a paz mundial indicando alguns livros para aqueles que querem ficar bem na foto com seus parceiros. Eis:
1. Não se mexe em time que está ganhando. No quesito amor & poesia, Vinicius de Moraes sempre estará lá entre os primeirões. Aproveite “Todo amor”, belíssima edição organizada por Eucanaã Ferraz para a Companhia das Letras, que acaba de sair. São cartas, crônicas, poemas… O material é muito bem cuidado e com achados surpreendentes – pelo menos para mim. As cartas, por exemplo, são ricas (e podem servir de inspiração para seu Whatsapp…). Além do mais, é impossível não passar horas cantarolando algumas das mais apaixonadas canções da música popular brasileira, graças à poesia do Vinicius. É batatolina.
2. As paixões me lembram porcelana. São objetos muitos delicados, admiráveis e que, ao mesmo tempo, podem resvalar para a mais vergonhosa breguice. Ok, eu sou um bruto. Mas “O caminho da porcelana”, de Edmund de Wall, é uma dica para pessoas curiosas a respeito de coisas inúteis (sou desses). Com muito talento, Wall conta como um montinho de argila bem trabalhada consegue ganhar o mundo e atravessar séculos e continentes, sempre em alta estima. O assunto pode parecer estranho, e é, mas trata-se de leitura leve, sem compromisso, ótima para acompanhar noites estreladas. Tipo um bom namorico…
3. Os menos brutos haverão de lembrar de “A casa das sete mulheres”, seriado da Globo que fez muito sucesso em 2003 (o tempo voa). Novelão de primeira linha. Sua autora, a Leticia Wierzchowski, acaba de lançar “Travessia”. É um romance histórico sobre a vida louca do casal Giuseppe e Anita Garibaldi – revolucionários irrequietos que andaram batalhando pela liberdade no Brasil, no Uruguai e na Itália. Grandes personagens tecendo uma história que parece mesmo uma obra de ficção. Mais uma boa sacada da Leticia. E certamente um presente para quem gosta de aventuras verídicas.
4. Por falar em almas irrequietas, vale visitar o século XIX da Anne Brontë. “A senhora de Wildfell Hall” é um romanção de 500 páginas, publicado em 1848, que foi um fenômeno de vendas. Relatando os costumes da época, denuncia a desigualdade entre homens e mulheres – donde se vê que essa discussão vem de longe. Anne queria educar os leitores para evitar que os abusos cometidos pelos seus personagens se repetissem na vida real. O livro era tão revolucionário teve de ser publicado sob pseudônimo masculino. Deveras educativo.
Ah, sim: se um desses presentes chegar acompanhado de uma garrafa de vinho, esse namoro vai longe. Portanto, muito cuidado.

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