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PUBLICADO EM 08.08.2017 - 12:43

Pai nosso de cada dia

E o Temer, hein? Não, nem vou falar nada a respeito. Vou falar mesmo é das dicas de presentes para o próximo Dia dos Pais, que já está chegando. A não ser que seu pai goste muito de gravatas e pares de meias, eis aqui minhas sugestões. Livros, claro.
IMPERDÍVEL: “Uma história simples”, de Leila Guerriero, tem menos de cem páginas e a força de grandes épicos. Não deixa de ser. Conta a história dos dançarinos de malambo, uma dança típica dos gaúchos argentinos que é cercada de uma aura de heroísmo, sofrimento, perseverança, honra e amor. Coisa fina mesmo. Guerriero nos leva para esse mundo com muita habilidade e nos ensina a ver uma cultura muito distante da nossa vidinha. Me fez passar um bom tempo no YouTube procurando mais a respeito do malambo.
VASTO MUNDO: Papais curiosos devem curtir “A história da ciência para quem tem pressa”, que conta dezenas de conceitos, descobertas e invenções desde os cientistas da Antiguidade até o Stephen Hawking. Não se propõe a ir fundo, mas nos dá um cenário bem amplo desse mundo fascinante que, para a maioria de nós, é invisível.
FALA, MESTRE: Qualquer livro do Luiz Antonio Simas tem a ver com carioquice da gema. Professor de história, ele circula por todos os aspectos da cultura carioca, com ênfase nas artes populares e na nossa religiosidade peculiar, tão afeita a negar hipocritamente a existência de um mundo invisível que nos cerca, protege e, se for o caso, atazana. Aproveite que ele acabou de lançar “Coisas nossas”, com dezenas de crônicas publicadas aqui no DIA, além de outros textos muito bem sacados.
MEDINHO: Nunca tive muito estômago para ler histórias de terror. Sério. Acabava perdendo o sono. Fazer o quê? Quando a literatura é boa, ela mexe fundo com a gente. Por isso que Stephen King é essencial. Merece cada fio de cabelo perdido – tanto que sua obra está sendo relançada à altura. É o caso de “A hora do lobisomem”, que você consegue ler em uma horinha, no metrô, sem sustos. Dá até para ler para crianças mais corajosas.
PULIÇA: Me diverti bastante com “Os impuros”, um policial escrito pelo premiado roteirista e editor Richard Price. Trata de um tradicional pesadelo dos detetives veteranos: os crimes não resolvidos. Às vezes, o investigador é obrigado a voltar a eles – e isso pode render boas histórias. É bem esse o caso. Além de manter o ritmo em alta, Price também segura bem o nível bem-humorado da conversa. Bola dentro.

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