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PUBLICADO EM 11.08.2017 - 16:37

Mentiras divertidas

As férias de julho estão chegando. Minha primeira sugestão é desligar-se do Facebook. A gente encontra ali tanta disposição para brigas inúteis, tanta raiva em estado bruto, que se estressa mais do que se informa. Sem falar que você pode ficar mal informado também, o que é bastante grave.
Para fugir dessas tretas inúteis, recomendo um tipo de literatura a que chamo de “Me engana que eu gosto” – parece, mas não tem nada a ver com a política nossa de cada dia. Trata-se de obras de suspense, policiais, coisas do gênero. A gente sabe que é tudo mentira, mas engole assim mesmo. É leitura que nos prende e, no fim, nos faz reler vários capítulos, tentando resgatar os detalhes que nos passaram em branco e foram fundamentais para a resolução da história. É um jogo muito interessante entre o escritor e o leitor.
A primeira dica, então, fica com “Nada como ter amigos influentes”, da Donna Leon. Ela viveu décadas em Veneza, na Itália, onde criou o detetive Guido Brunetti. Grande personagem. Desta vez, Guido está à beira de perder seu apartamento, por conta de problemas burocráticos com a prefeitura de Veneza. Só que o responsável por esse processo acaba assassinado, e cabe justamente ao nosso detetive investigar o caso. A partir daí, Guido se mete em rolos envolvendo dois velhos conhecidos nossos: o comércio de drogas e o tráfico de influências. Brasileiros, em geral, haverão de se identificar com essa questão. Somos todos latinos, afinal. Fica a dica.
Outro craque nessa linha é o espanhol Arturo Pérez-Reverte. Acaba de sair por aqui “O sniper paciente”, que traz para o leitor um pouco do curioso submundo da arte de rua. É um thriller de primeira linha, em que uma historiadora da arte sai em busca da verdadeira identidade do Sniper, grafiteiro que já fez o diabo pelas paredes da Europa mas sempre conseguiu se manter anônimo. Me lembrou muito, por vários motivos, a história real do Banksy, o mais famoso grafiteiro em atividade no mundo, famoso por sua mensagem política, crítica, bem-humorada. Assim como o personagem do livro, suas obras são disputadas no mercado de arte, não se conhece sua identidade verdadeira e, pior, muita gente gostaria de botar a mão nele – não exatamente para fazer carinhos…
Por último, sugiro também qualquer obra do Michael Connelly, que já vendeu horrores mundo afora. “A caixa-preta”, por exemplo, lida com a morte de uma fotojornalista ocorrida na década de 1990, durante conflitos de rua nos EUA. Vinte anos depois, um detetive tem que voltar ao caso, já devidamente arquivado. É interessante como o tempo nos faz abrir os olhos para fatos a que não damos importância. Nesse jogo entre o passado e o presente, Michael Connelly constrói uma teia de onde só consegui sair depois de virar página por página do livro. Viciante.

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