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PUBLICADO EM 11.08.2017 - 16:33

O pai nosso de cada dia – II

Não sei se você lembra, mas o Dia dos Pais é depois de amanhã. Sei que publiquei aqui, semana passada, algumas dicas de presentes para eles. Curiosamente, alguns leitores pediram mais sugestões. Obedecendo a um antigo lema (“servir melhor para servir sempre”), eis aqui uma nova lista de livros para os papais. Divirtam-se.
SEM PALAVRAS: Imagine uma câmera fixa disparando fotos na sala de uma casa antiga. Ela vai registrando tudo o que aconteceu ali ao longo de décadas, séculos e até milênios. Imagine, então, sobrepor esses acontecimentos na mesma tela. É uma ideia delirante e muito, muito bem executada por Richard McGuire em “Aqui”, uma longa história em quadrinhos, quase sem palavras. Espetáculo visual, delicado, brincando com a memória, o tempo, a família, as coincidências e os desvios da vida, os eternos retornos… Tudo muito bonito. Presentão.
MUITAS PALAVRAS: Frederico Lourenço é o que antigamente se chamava de “um crânio”. Professor e doutor em literatura grega, publicou há pouco “Os novos testamentos”, primeira parte da Bíblia que ele está traduzindo do grego, a língua original dos manuscritos que mudaram a humanidade. A tradução é um trabalho hercúleo e genial, principalmente porque abre mão do caráter religioso dos textos. Ler os testamentos foi uma experiência muito enriquecedora, que abriu minha cabeça em relação a religiões e história. É um projeto de fôlego também para o leitor. Não por acaso, até para incentivar o mergulho no texto bíblico, recomendo também “O livro aberto”, do próprio Frederico Lourenço. É um texto curto, mas muito instigante, ensinando que nem tudo deve ser levado ao pé da letra e nem tudo deve ser aceito levando-se em conta somente a interpretação alheia. São esses, afinal, os erros dos extremistas.
A ORIGEM: E já que falamos em religiões, vale a pena mergulhar em “O grande debate”, do Yuval Levin. Mostra em que momento começou a ficar mais radical a divisão entre esquerda e direita, entre progressistas e conservadores, entre situacionistas e oposicionistas. A partir do embate de ideias entre Edmundo Burke e Thomas Paine, no Século XVIII, Levin descobriu as bases dos argumentos que ainda hoje utilizamos para justificar (ou desculpar) nossas posições políticas. Vamos lembrar que o mundo vivia a ressaca (ou o pileque) das revoluções americana e europeia. E vamos lembrar também que está na hora de vivenciarmos a prática política mais intensamente. Nossa apatia em relação a ela só nos afunda mais na lama em que estamos atolados.

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