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PUBLICADO EM 10.07.2016 - 14:23

Brasileira Amanda Nunes é a primeira campeã do UFC declaradamente LGBT. E isso é empoderador

A baiana Amanda Nunes fez história na disputa pelo título de peso galo do UFC. Ela tornou-se a primeira brasileira a conquistar um título no campeonato de MMA mais importante do planeta e a primeira atleta (incluindo o masculino) declaradamente LGBT a conquistar um cinturão. Com apenas 3m15s de luta ela aplicou uma sequência de golpes e um mata-leão avassalador e tomou o título da norte-americana Miesha Tate.

Logo após conquistar o título, a “Leoa”, apelido que ganhou no esporte, dedicou o título à namorada, a lutadora do peso-palha Nina Ansaroff “Ela é tudo para mim. Me ajuda todo dia… Eu vou chorar. Eu amo ela. Isso é demais. O mais importante é que eu sou feliz com a minha vida”. Em entrevista antes da vitória da amada, Nina ressaltou que o amor das duas é superior a questão de gênero, é simplesmente amor. “Temos orgulho da nossa relação porque nós temos uma ligação muito forte, não porque somos gays. Como sua parceira, sinto que refletimos uma à outra”, definiu.

Mas o que isso importa?

O leitor que caiu de para-quedas neste BLOG pode se perguntar: “Tá, mas o que tem a ver o título do UFC com a orientação sexual da lutadora?”. Talvez ela não deixasse de ganhar o título ou por ser lésbica ou por ser heterossexual.

Talvez.

Por pressão social, homens e mulheres são desmotivados por pais a seguir carreiras em que seriam vitoriosos. Pais que um dia também passsaram pela mesma frustração. Quem sabe eu não estou neste momento com este texto sendo lido por alguém que sonhou ser bailarino ou uma leitora que sonhou jogar futebol e desistiu porque ouviu que “isso não é para você”. “É coisa de homem”. “É coisa de viado”.

Por pressão social, atletas vivem uma vida no armário. Quantos esportistas você conhece que são abertamente gays, lésbicas ou transexuais? E você realmente acredita que em todo o mundo apenas estes são os LGBTs nos esporte? Declarar ou não sua sexualidade não é obrigação, é um direito de cada um que deveria ser respeitado. Deveria. O fato é que atletas em todo o mundo são pressionados por família, empresários, empresas para não falar sobre o assunto. O medalhista olímpico australiano Ian Thorpe contou em sua biografia que mergulhou em uma profunda depressão por não conseguir mais esconder sua homossexualidade.

Empoderada, Amanda conquistou o cinturão do UFC e dedicou à namorada. Foto: Divulgação.

Empoderada, Amanda conquistou o cinturão do UFC e dedicou à namorada. Foto: Divulgação.

Queridinho na Austrália depois de contar três medalhas de ouro nas Olimpíadas disputadas em Sidney, ele era pressionado e se sentia pressionado internamente a responder ao padrão heteronormativo desejado pela sociedade. Conseguiu brilhar em Atenas, quatro anos depois, conquistando mais duas de ouro. Se era um fenômeno de popularidade em seu país, Thorpe era derrubado ao tentar contrariar sua identidade, sua natureza. Ele acabou mergulhando no alcoolismo e abreviando sua carreira em 2006, alegando desmotivação. A verdade, o nadador revelou apenas seis anos depois em uma entrevista para uma emissora local. O campeão voltava às piscinas depois de encontrar paz finalmente revelando ser gay. Imagine se esse cara fosse bem resolvido desde o começo da sua vida profissional, o tão mais alto ele poderia ter chegado.

Amanda chegou ao topo sem amarras, botando a cara no sol. Chegou livre para brilhar. E venceu com a junção de talento, disciplina, coragem e o apoio de um grande amor que ela tem orgulho de ao mundo apresentar. A vitória de Amanda é uma vitória do respeito à diversidade no esporte e na sociedade em geral. É a vitória da mulher, nordestina, lésbica, brasileira. Da superação do preconceito, da adversidade. A vitória do sonho. Sonho de conseguir voar alto com orgulho de ser quem é. Vitória da Leoa, conquistada com o golpe de mata leão ou em quem ou no que tentou um dia derrubá-la.

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