14 de maio de 2016

Irmãos Grael provam ter luz própria e disputam primeira olimpíada tendo como exemplo o pai

Rio- NUM CENÁRIO deslumbrante, com a Baía da Guanabara ao fundo, iluminada pelo pôr-do-sol, o Ataque bateu um papo descontraído com os velejadores Marco Grael, 26 anos, e Martine Grael, 25. Provando terem talento e luz própria, os irmãos vão disputar a primeira Olimpíada justamente no Rio. Marco, em parceria com Gabriel Borges, na classe 49er, e Martine, com Kahena Kunze, na 49erFX. Herdeiros da nova geração de uma dinastia que deu ao Brasil sete das 17 medalhas olímpicas do iatismo — cinco do pai, Torben, e duas do tio, Lars —, a dupla revela o orgulho do sobrenome.

O DIA: Velejar para vocês é como estar em casa?

Martine Grael: O apoio da família sempre foi integral. Eles sempre nos apoiaram e aprovaram a gente começar a velejar. E é inegável que o fato de estar em contato com os nossos próprios ídolos, que são nossos pais, faz um diferencial de nos sentirmos bem fazendo o que fazemos.
Marco Grael: Quando você começa cedo, está tão acostumado com aquele ambiente que é difícil ver dias negativos. Tem um amigo nosso que diz que um dia ruim velejando ainda assim é melhor do que um dia no escritório. E, realmente, eu não consigo me ver num escritório, não consigo ter esse estilo de vida. Do jeito que a gente está treinando, do jeito que a gente está se puxando para o limite, é muito prazeroso. É uma recompensa muito grande. Estar entre os amigos, em um ambiente maravilhoso, em contato com a natureza, é uma coisa que aprendemos desde pequenos, veio com o incentivo dos nossos pais.

Vocês acham que têm muitas características do seu pai, o Torben Grael?

Martine: Quando eu era pequenininha, ficava revoltada por ser reconhecida como irmã do Marco ou como a filha do Torben. Não, meu nome é Martine. E hoje pelo menos as pessoas já me chamam pelo nome. Tenho um reconhecimento, que lutei muito para conquistar.
Marco: As pessoas sempre tentam criar a expectativa, tentam criar a sensação de pressão, a obrigação de fazer os resultados, e isso não é aplicável porque a gente sempre busca o que quer. A gente quer velejar, competir e ganhar. Os resultados vão vindo devagarzinho e a gente vai aumentando as nossas expectativas e também os nossos sonhos. Acho que não é uma energia que vem de fora, é uma coisa que você tem que buscar de dentro.

Vocês brigavam muito quando crianças? Ainda brigam, ou é só amor?

Martine: A gente brigava muito quando era criança, mas brigava e se dava muito bem junto. Era meio que implicância, mas depois brincávamos direto. Hoje em dia, nos separamos um pouquinho. O Marco faz a campanha olímpica dele e eu faço a minha. Mas a gente está aqui um para o outro. Pelo menos a gente não briga hoje em dia.
Marco: Acontece hoje em dia um pouco do que acontecia com o meu pai. Ele viajava tanto que quando estava em casa queríamos aproveitar ao máximo aquele momento. E hoje é assim, a gente está o tempo todo tão ligado na nossa própria função que, quando temos um dia de folga e podemos fazer uma caminhada, é muito prazeroso. Aproveitamos mais esse momento.

Vocês se consideram muito competitivos?

Marco: Era por isso que a gente brigava muito. Brigava até por coisas como peças do lego (risos).
Martine: Antigamente, a gente brigava até para sentar na frente do carro, ou para chegar primeiro. Hoje em dia, eu me acho muito competitiva na água, mas melhorei um pouco em querer competir em tudo, sempre. Chega uma hora que cansa.

Quando vocês pensam no seu pai, qual a imagem que vem mais forte?

Martine: Ele é uma pessoa muito correta, que nunca faz nada mais ou menos, desde a obra lá em casa. Tudo tem muito planejamento. As atitudes dele são muito corretas. Ele é um exemplo muito grande. Hoje em dia, com essa quantidade de corrupção, de maus exemplos, ele se destaca como bom exemplo.
Marco: Não tenho mais nada a comentar (risos). O pai é como a Martine falou. Ele sempre foi um exemplo, não só na água. É um exemplo pelas atitudes, pelos ensinamentos, por tudo o que faz. Nós nos espelhamos muito nele.

O Torben Grael conquistou cinco medalhas olímpicas na carreira. Essas relíquias foram inspiração para vocês à medida que iam crescendo?

Martine: Nós já vimos várias vezes. As medalhas têm um valor muito especial para ele, porque as conquistou. A medalha é um símbolo. O que vale mesmo é o que você conquista, o que você sente com a sua realização. Eu não me vanglorio. Ah, eu tenho essas medalhas desses campeonatos. Pra mim, a sensação de saber que, pô, eu fui a melhor velejadora daquele campeonato, que fui melhor do que todo mundo, é o que me satisfaz de verdade.
Marco: A medalha, de certa maneira, é uma memória. Se eu fosse olhar a medalha dele e a medalha de um torneio que ganhei, eu vou dar muito mais valor à minha do que à dele. Pois é o valor da minha conquista, do meu esforço, do meu mérito. E as medalhas são mérito dele. Por elas, você vê tudo o que ele lutou para chegar naquele ponto. Você tem muito respeito por aquela medalha.
Martine: É incrível olhar para as medalhas. No ano passado, teve um evento da CBVela (Confederação Brasileira de Vela) no Morro da Urca, que reuniu todas as medalhas olímpicas da vela. Eles separam por Olimpíada. Foi muito legal ver aquela quantidade — a família Grael conquistou sete medalhas olímpicas (dois ouros, uma prata e dois bronzes com Torben; e dois bronzes com Lars).
Marco: Levei um choque quando vi. Foi emocionante!

É uma bênção ser da família Grael?

Martine: Fazer parte dessa família é um orgulho!

Postado por mvieira às 11:30 pm
10 de maio de 2016

Determinação é uma das marcas de Rafael Vaz, o herói do bicampeonato carioca

Rafael Vaz foi decisivo em título do Vasco / Crédito : Divulgação

Rafael Vaz foi decisivo em título do Vasco / Crédito : Divulgação

Paulo de Castro, descobridor de talentos da região de Caieiras, a 40km da capital paulista, nunca esqueceu da determinação de um certo garoto, entre tantos outros, que um dia foram tentar a sorte no futebol, em sua escolinha. Obediente,o menino seguia à risca as suas determinações para treinar. Um dia, Paulo pediu ao jovem zagueiro para dar várias voltas ao redor do modesto campinho, o temido “Boca do Jacaré”. Saiu para resolver um problema de última hora e esqueceu do garoto. Quando voltou o encontrou esbaforido.

“Ele já tinha dado umas 200 voltas ao redor do campinho e não reclamou! Ele não, mas a mãe…”, relembra.
Passadas algumas horas, dona Sandra voltou ao campo com uma panela quente na mão correndo em direção ao técnico.

“Ela sempre foi muito brava. Só deu tempo de correr para o vestiário, onde me tranquei”, relembra às gargalhadas. “Precisei de três meses para fazer as pazes com ela”, garante Paulo.

A história engraçada, contada tantos anos depois sobre o herói da conquista do bicampeonato carioca, ilustra uma das facetas de Rafael Vaz. Um herói tão improvável quanto determinado, que hoje faz questão de dividir seu sucesso com a família. Confira o vídeo.

Postado por mvieira às 12:18 am
6 de maio de 2016

Presidente do Vasco, Eurico Miranda, abre o jogo e fala sem rodeios sobre a sua intimidade

 

EM QUASE MEIO SÉCULO DENTRO DO FUTEBOL, Eurico Miranda, colecionou inimizades, atraiu uma legião de seguidores e causou muita polêmica. Perto de conquistar o 51º título da carreira, o presidente vascaíno abre o jogo e revela nesta entrevista exclusiva um pouco da intimidade. Fala sem rodeios da doença, diz que não pensa na morte e que, apesar da idade, está mais jovem do que nunca.

Presidente fala sem rodeios sobre família, saúde e sua devoção ao Vasco/ Foto Ernesto Carriço- Agência O Dia

Presidente Eurico Miranda fala sem rodeios sobre família, saúde e sua devoção ao Vasco/ Foto Ernesto Carriço- Agência O Dia

O Eurico que a imprensa não conhece é divertido, carrancudo? Eurico Miranda: Não sou daqueles do riso fácil, não é o meu estilo. Aliás, isso é uma das coisas que quando você quer fazer política tem que ser assim, e todo mundo sempre diz que sou um mau político. Rio só quando tenho vontade, mas não para ser mais simpático. Muita gente o considera antipático. Como lida com isso? OS que convivem comigo me acham até simpático demais. A questão não é ser simpático ou não. Tem uma frase de para-choque de caminhão que fala do grande problema do meio do futebol: “Inveja é uma merda”. É próprio da natureza humana, entendo isso. Modéstia à parte, estou no meio do futebol com conhecimento de causa e sei que em matéria de futebol é muito difícil debater comigo. Sua família não tem ciúme do Vasco? Na vida tudo tem uma questão de compensação. Eu tenho uma bela família. Quatro filhos, nove netos e eles já nasceram sabendo que têm que conviver com a minha vida no Vasco. Quando tenho oportunidade, sempre estou com meus netos.Eles assistem aos jogos, ficam comigo e é uma satisfação. Deixo eles fazerem o que querem. Fico tão pouco tempo com eles, que não tem isso de ‘não pode isso, não pode aquilo’. Não posso me queixar tenho uma família maravilhosa, sou abençoado. Como é a sua rotina? Não é mais a de dois meses atrás, até porque fiz uma cirurgia. Estou fazendo tratamento preventivo e mudou um pouco nesse sentido.Mas apesar de fazer quimioterapia, não mudou nada a minha atividade aqui. Dependendo do dia, posso passar de 12 a 24 horas no Vasco.Acompanho tudo de perto. Uma coisa é certa, todo dia venho ao Vasco. O senhor faz 72 anos em junho. Como encara o envelhecimento? Sinceramente, não me sinto envelhecido. Fisicamente já não sou o mesmo, isso é verdade, não sou praticante de exercícios, mas a cabeça, que é a mais importante, não envelheceu. Armazenou muita coisa. De certa forma, os anos foram passando, mas um coisa eu tenho certeza plena. Podem não gostar de mim, mas me respeitam. O senhor tem uma doença grave, que é de domínio público. Como lida com isso. Tem medo de morrer? Você sabe que não penso nisso, sinceramente. Eu sei que vou morrer, mas tenho enfrentado todas essas minhas coisas com naturalidade. Não modifiquei em nada com essa doença que tive. Na verdade, extirpei dois tumores.Hoje, faço quimioterapia, que é mais preventiva do que curativa. Não é agradável, mas enfrento com naturalidade. Faço pelo menos uma sessão, uma vez por semana. Das 12 sessões, já fiz dez, só faltam duas e está tudo bem. Tenho muita proteção. A doença mudou a sua forma de encarar a morte? O que eu não gostaria era de morrer antes de ver o Vasco em uma situação mais tranquila, antes de ver os meus filhos criados, de perder a chance de conviver mais com os meus netos. Mas tenho certeza de uma coisa: os meus (familiares) vão demorar a se esquecer de mim. Em 50 anos no futebol qual é o seu maior orgulho? Já ocupei todos os cargos possíveis no Vasco e o principal é o de presidente. Mas a coisa que mais me orgulho é ser representante, em maiúsculo, do Vasco. Do que não se orgulha? Sou daqueles que não me arrependo de nada que fiz. Nada. Faria tudo de novo. É evidente que tem muita coisa que a gente faz, que depois vê que não era para fazer daquela maneira. Mas não me arrependo, porque no momento que fiz visava um interesse maior. O que senhor gosta de fazer na hora de lazer? Na TV, gosto de tudo, menos comentários esportivos. Só vejo, se tirar o som, pois a maioria entende pouco. Gosto de filmes de ação. Drama não me interessa mais, mas sei apreciar as coisas boas. Ando sem tempo, mas tinha uma mania, o quebra-cabeça. Estimulava alguns neurônios e me fazia, naquele momento, esquecer todos os problemas. Montava com seus netos? Eles são os únicos que podem mexer nas minhas peças. Os outros não têm permissão. É como puxar o Casaca? O Casaca é um grito de guerra que ninguém tem. Não é algo vulgar. É um grito de triunfo, orgulho. Não é cantado, é puxado. Mal comparando, é como prestar continência à bandeira nacional. Não admito puxar o Casaca com as pessoas sentadas. Agora, como venho com isso lá de trás, onde estou, para puxar o Casaca tem que ser o presidente. Ou então não puxa. Domingo dá Vasco? Você não fica 25 jogos sem perder, em que ganhou dos seus três adversários. Isso merece ser exaltado. Trabalhei com grupos excepcionais, de qualidade. Mas este grupo é muito consciente. Posso dizer que dos muitos que trabalhei não tem um que tenha essa integração direta.Seria o coroamento de uma campanha brilhante. O que o Vasco significa para o senhor? Tirando a minha família, realmente o Vasco é tudo. Aliás, ainda tira um pouco da minha família. O Vasco é tudo.

Postado por mvieira às 5:53 pm
18 de março de 2016

Na batuta de Silva, o “Feitiço Negro’ e eterno artilheiro rubro-negro

Na Gávea, artilheiro  Silva relembra carreira gloriosa no Flamengo. Foto de Márcio Mercante- Agência O Dia

Na Gávea, artilheiro Silva relembra carreira gloriosa no Flamengo. Foto de Márcio Mercante- Agência O Dia

Rio – Ele nunca precisou de batuta para reger, com maestria, os grandes esquadrões do futebol brasileiro nas décadas de 60 e 70. Mesmo assim, herdou o apelido, que ganhou status de sobrenome. Líder nato, habilidoso e goleador, o ponta de lança Silva ‘Batuta’ deixou saudade nos 13 clubes que defendeu em 20 anos de carreira.

Foi assim no São Paulo, no Corinthians, no Vasco, no Racing e no Flamengo, clube que marcou sua carreira e roubou seu coração. Hoje, aos 74 anos, Batuta continua a bater ponto na Gávea, precisamente no departamento social, onde faz a festa dos associados ao agendar as quadras e churrasqueiras do clube.

“Até hoje me pedem autógrafo e me tratam com muito carinho, mesmo eu tendo parado há muitos anos. Sou feliz, não tenho saudade e nem arrependimentos. O futebol me deu uma família maravilhosa”, diz Batuta, pai de três filhos, avô de quatro netos e orgulhoso por ter comemorado bodas de ouro com a mulher, Marta.

Por onde passou Batuta deixou a marca de salvador da pátria. Foi assim no Corinthians, em 1962, onde fez dupla com Ney e levou o Timão ao vice-campeonato paulista, um ano depois de a equipe ter sido saco de pancada no Estadual. Em 1965, no Flamengo, seu desafio foi ainda maior: após a saída litigiosa de Gérson, que foi para o Botafogo, o Rubro-Negro procurava um novo ídolo.

Batuta chegou e correspondeu. Foi artilheiro do time na temporada, com 20 gols, ao lado de Fefeu. Na companhia do inesquecível Almir Pernambuquinho, levou o time à conquista do Carioca e ao título do IV Centenário da cidade do Rio de Janeiro.

“Foi um grande momento e ainda joguei com o Almir, que virou um amigo. Apesar de explosivo, era um homem bom”, garante Batuta.

Decepção na Seleção

As grandes atuações com a camisa rubro-negra lhe valeram uma vaga no grupo que disputou a Copa do Mundo de 1966, na Inglaterra, e uma grande decepção. “Foi uma barca furada, mas valeu, pois defendi as cores da Seleção”, frisa, orgulhoso, referindo-se à derrota (3 a 1) que eliminou o Brasil, diante de Portugal.
Mas o fracasso no Mundial não atrapalhou a carreira de Batuta, que ainda jogou no Barcelona, no Santos e no Vasco, onde tirou o time de uma fila de 12 anos sem conquistas, no Carioca de 70. “Ajudei o Vasco a acabar com o jejum. Tenho boas lembranças do título”, observa Batuta, que encerrou a carreira aos 34 anos no Tiquire Flores, da Venezuela, em 75.
Clone de Tony Tornado e colecionador de pentes

Paulista da gema, como se define até hoje, Batuta não demorou a incorporar o estilo carioca. Nascido em Ribeirão Preto, mas morador de Copacabana, ele não dispensava o samba e o carnaval da Mangueira — foi comparado ao cantor Tony Tornado, que vivia o auge nos anos 70, foi um pulo.

“Muitos diziam que eu parecia com o Tornado. Ele virou um amigo. Às vezes, nos confundiam. Temos a mesma estatura, apesar de ele ser mais robusto. Achava divertido, ele era um cara do bem”, lembra, bem-humorado.

Na mesma época, Batuta começou a colecionar pentes para ajeitar o cabelo black power. Chegou a ter mais de 30. Hábito que não largou até hoje. “Olha o que tem no bolso da calça?”, disse, apontando para mais um modelo.

Carreira vitoriosa virou livro

Em 20 anos de carreira, Silva não conquistou apenas o coração da torcida do Flamengo. No Racing, da Argentina, onde jogou em 1969, tornou-se lenda. Era o ‘Feitiço Negro’, apelido que ganhou ao fazer 28 gols em 39 jogos do Campeonato Argentino e entrar para a história como o único brasileiro a se tornar artilheiro da competição.

Esta e outras histórias sobre ele são contadas no livro ‘Silva, o Batuta – o craque e o futebol de seu tempo’, do escritor Marcelo Schwob, que será lançado dia 15 de novembro, data do aniversário do Flamengo.“Ele é meu ídolo, sua história me impressionou tanto que escrevi um livro. Batuta merece todas as homenagens”, observa Schwob.

Postado por mvieira às 5:57 pm
18 de março de 2016

Mulheres de Ouro- De Lenk a Jack Silva e Sandra

474844 Foto de Márcio Mercante/ Agência O Dia

Desde as primeiras braçadas da lendária nadadora Maria Lenk, em Los Angeles-1932, até as duplas do vôlei de praia Jacqueline-Sandra e Adriana-Mônica conquistarem as inéditas medalhas olímpicas femininas do país, em Atlanta-1996, mais de meio século se passou. No ano em que a histórica façanha completa duas décadas, O DIA refaz o heroico caminho das pioneiras até o pódio. Uma jornada vencida com superação, talento, suor e lágrimas.
Confiram no link abaixo esta série especial que é a uma homenagem a todas as mulheres que contribuíram para essa heroica conquista.

http://especiais.odia.ig.com.br/editorial/mulheres-de-ouro/index.html

Postado por mvieira às 5:41 pm
21 de novembro de 2015

Primeira maratonista brasileira a disputar uma olimpíada conta os bastidores do surgimento da corrida de rua no Brasil, da qual é pioneira

Rio- Lenda viva do atletismo brasileiro, Eleonora Mendonça, primeira maratonista brasileira a participar de uma olimpíada, Los Angeles-1984, vai ministrar um workshop sobre o início do movimento de corridas de rua no Brasil, hoje, de 15h às 17h, no auditório da Faculdade Gama e Souza Campos, na Barra da Tijuca. No evento, aberto gratuitamente ao público, Eleonora vai revelar os bastidores das corridas de rua no Brasil, um movimento que hoje é um fenômeno nacional.

“Este é um tópico muito pessoal, pois através da minha firma, a Printer, eu e meu sócio, Paulo Cesar, fizemos as primeiras corridas de ruas aberta ao público no Brasil”, relembra. Eleonora também apresentou palestra sobre o histórico do atletismo feminino mundial, dos Jogos Olímpicos Modernos até a última olimpíada, no Congresso Nacional Upgrade Sportfit. O evento contou com a participação de ex-atletas, como a ex-fundista Soraia Telles Vieira, medalha de Bronze nos 800 metros no Pan de 1987 e, que também disputou a Olimpíada de Seul, em 1988.

Eleonora mantem a forma percorrendo as altas montanhas americanas. Nesta, ela percorreu 12 KM

Eleonora mantem a forma percorrendo as altas montanhas americanas. Nesta, ela percorreu mais de 12 KM

Apaixonada por atletismo, Eleonora sonha em resgatar a história das corridas de rua no país, montando um site sobre o movimento com vasto acervo fotográfico.Incluída no Hall da Fama do Cambridge Sports Union em Dezembro de 2000 e no Hall da Fama da Corrida de Mount Washington, em Junho deste ano, a ex-atleta mora hoje nos Estados Unidos, mas pelo visto, a partir de agora, terá motivos de sobra para passar longas temporadas no Brasil.

Postado por mvieira às 1:21 pm
18 de setembro de 2015

Craque Marinho precisa dar o drible mais difícil da vida

Rio – Os passos são curtos, não lembram nem de longe os do ponta-direita veloz e talentoso que vestiu as camisas de Bangu, Botafogo, Atlético-MG e encantou o futebol brasileiro nos anos 1980. A voz é quase um sussurro, bem sofrida, como o olhar, perdido. O corpo, esquálido, ainda padece depois de uma batalha contra uma traiçoeira tuberculose na pleura que o levou a ficar internado por nove dias no Hospital Albert Schweitzer. Mas, apesar da doença, Marinho não se entrega e promete dar o drible mais difícil de sua vida. Só que precisa de ajuda.
“Meu pai não precisa de dinheiro, casa ou comida. O que ele necessita é ficar internado em um bom hospital para fortalecer os músculos e se recuperar completamente. Só vou sossegar quando arrumar um bom tratamento para ele. Eu não vou ver meu pai definhar desse jeito sem fazer nada”, desabafa, emocionado, e sem conseguir segurar as lágrimas, o filho de Marinho, o jogador de futebol Steve Wonder.

O craque Marinho recebe o carinho do filho Steve Wonder. Recuperando-se uma tuberculose, ele precisa de ajuda. Foto:  Bruno de Lima

O craque Marinho recebe o carinho do filho Steve Wonder. Recuperando-se uma tuberculose, ele precisa de ajuda. Foto: Bruno de Lima

Além da grave enfermidade, o ex-jogador também sofre com o acúmulo de álcool nos rins e no fígado. O alcoolismo afetou seus neurônios e provoca lapsos de memória. O uso diário de seis remédios diferentes também o deixa um pouco dopado. Apesar das mazelas, Marinho encontrou forças para realizar um sonho antigo. Graças ao apoio financeiro de um amigo do peito, Ari da Cruz, proprietário da Pensão Barriga Cheia, em Bangu, e do filho, ele montou seu próprio time de futebol.
“É o M-7. Não temos patrocinador, dou meus palpites sobre os garotos que são bons de bola e têm futuro. Isso alivia a minha cabeça, meu coração, pois estou triste. Meu lugar é dentro de campo. Não consigo ficar longe do futebol”, diz Marinho, que em campo sempre vestiu a 7.

Recentemente, na estreia do time na Liga Copa Rio Juniores, contra o Nabor e Andrade, no campo do Realengo, Marinho fez o que mais gosta. Almoçou com os garotos antes do jogo, repassou dicas preciosas sobre futebol e deu o pontapé inicial na partida, sob muitos aplausos — um raríssimo momento de alegria em tempos tão sofridos.

Marinho dá o pontapé inicial no primeiro jogo do seu time, o M-7, em um campinho modesto de Realengo. Foto Bruno de Lima

Marinho dá o pontapé inicial no primeiro jogo do seu time, o M-7, em um campinho modesto de Realengo. Foto Bruno de Lima

É no modesto campinho de Realengo que o ex-jogador dá vida a seu projeto de revelar novos talentos. O aluguel do campo é pago pelo amigo Ari, que banca também a alimentação de cerca de 40 garotos. O filho, que está desempregado, abriu mão de trabalhar por causa da frágil saúde do pai. É Steve Wonder, com quem Marinho mora hoje em dia, quem lhe dá os remédios, o tira de casa nos dias mais tristes e ainda o ajuda a coordenar o M-7.

“O time não deixa ele acuado nos cantos. É uma coisa para ele fazer, que ele gosta. Não foi no intuito de ganhar dinheiro. É só para ocupar a mente dele”, explicou Steve Wonder.
VOLTA POR CIMA

O drama atual de Marinho é mais um sofrido capítulo em sua trágica jornada de vida. Da privação extrema na infância, quando comeu o pão que o diabo amassou em um orfanato na cidade mineira de Pirapora, aos dias de glória no futebol, o camisa 7 chegou a ter cinco carros de luxo na garagem. Mas, no auge da carreira, em 1988, perdeu o filho Marlon, de apenas 1 ano e 7 meses, afogado na piscina de sua mansão. A perda brutal do herdeiro abriu uma ferida que sangra até hoje.

Para piorar, após a carreira, o dinheiro acabou e os amigos sumiram. Há um ano, Marinho chegou a morar de favor em uma clínica abandonada, mas deu a volta por cima e conseguiu um lar. Se falta saúde, sobra esperança de que o ex-jogador dê o drible mais importante da sua vida. Torcida por ele não faltará.

Postado por mvieira às 5:03 pm
18 de setembro de 2015

Como é a vida do clone de Ronaldinho Gaúcho

Belo Horizonte- Não se assuste se por alguns segundos você olhar para a arquibancada do Maracanã, antes do duelo entre Fluminense e Atlético-MG, e achar que o dono de uma conhecida faixa preta na cabeça, cabelos compridos e sorriso aberto é Ronaldinho Gaúcho. A semelhança de José Robson Batista de Oliveira, 23 anos, com R-10 realmente impressiona. Tanto que virou ofício. Ele vive de fazer comerciais e eventos como sósia de R-10, até mesmo fora do Brasil. Seu trabalho mais recente foi em Joanesburgo, África do Sul.
“O carinho é sempre maravilhoso. Na África, onde fiz o comercial, foi incrível. O Ronaldinho é amado no mundo todo”, diz o sósia, que recentemente fez até implante dentário para ter o mesmo sorriso do craque.

No Parque i, em Beagá, o clone de R-10 conta como é a vida de um sósia/ Foto/ Márcia vVeira

No Parque Municipal, em Belo Horizonte, o clone de R-10 conta como é a vida do sósia do craque/ Foto/ Márcia Vieira


Em Belo Horizonte, onde vive, o clone mal consegue andar pelas ruas do Centro, tamanho o assédio. Tanta popularidade o levou a se arriscar na política, na última eleição. Teve 4.999 votos: “Agora vou sair como vereador em Betim (MG), onde vou trabalhar em um projeto com crianças carentes”.
Mas nem sempre o vento esteve a seu favor na vida. Criado na periferia de Maceió, o menino, que sonhava ser ator, mudou de ideia quando um amigo percebeu a semelhança.

“Você tem até os mesmos dentões dele”, dizia um parceiro. Robson levou a sério a dica. Se hoje cobra até R$ 4 mil por evento, no começo o valor era bem mais modesto: R$ 50. Fez tanto sucesso que se mudou para o Rio quando R-10 acertou com o Flamengo. Chegou a faturar até R$ 600 em um bom fim de semana, passando o boné em rodas de samba. Mas tudo mudou quando o craque deixou a Gávea e ele virou “traidor”.

Nas ruas de Beagá, Robson é uma celebridade, tira fotografias e dá autógrafos para os torcedores do Galo. Foto/Márcia Vieira

Nas ruas de Beagá, Robson é uma celebridade, tira fotografias e dá autógrafos para os torcedores do Galo. Foto/Márcia Vieira

Quando R-10 acertou com o Galo, Robson tentou a sorte em Minas. Adotado pela torcida do Atlético, nunca lhe faltou trabalho. Tanto que só veste a camisa do Galo. No único encontro com o ídolo, se emocionou. “Ele me viu e mandou: ‘Você é feio pra c…’. Espero que Ronaldinho não jogue. Ele pode até vestir a camisa do Flu, mas o coração é como o meu, é Galo”, aposta.

Postado por mvieira às 4:43 pm
29 de julho de 2015

Fred visita Magno Alves em igreja evangélica no Rio

 

Fred visitou o companheiro Magno Alves em um culto na igreja evangélica no Rio

Fred visitou o companheiro Magno Alves em um culto na igreja evangélica no Rio. Fonte : facebook

A fase religiosa do atacante Fred parece que veio mesmo para ficar. Convertido há um ano e meio, o jogador, além de fazer parte das reuniões entre os evangélicos do Fluminense, antes dos jogos, arrumou um tempinho em sua folga de terça-feira para visitar a Igreja Assembleia de Deus, frequentada pelo companheiro Magno Alves. Mostrando sintonia fora dos gramados, a dupla tem encontrado na fé um porto seguro na roda viva do futebol. Enquanto o camisa 9 vive boa fase e aposta na caminhada tricolor rumo ao tricampeonato, ainda mais após a chegada de Ronaldinho Gaúcho às Laranjeiras, Magno ainda não vingou desde que trocou o Ceará pela Cidade Maravilhosa. Uma frustração que a fé ajuda a suportar nas horas mais difíceis.

Antes do jogo com a Chapecoense, no domingo, os atletas de Cristo se reuniram

Antes do jogo com a Chapecoense, os atletas de Cristo do Flu se reuniram. Fonte: facebook

Postado por mvieira às 6:30 pm
21 de julho de 2015

Léo Rocha comanda acesso do América e prova que cavadinha é coisa do passado

Léo Rocha curte o sucesso com o filho Bernardo, na Praia do Recreio

Léo Rocha curte o sucesso com o filho Bernardo, em  tarde de sol na Praia do Recreio

Rio – Edson Passos, 15 de julho de 2015, um dia que o camisa 10 Léo Rocha jamais vai esquecer. Conhecido nacionalmente por perder um pênalti, de cavadinha, em cima do goleiro do Botafogo, Jefferson, na Copa do Brasil de 2012, o jogador deu a volta por cima ao comandar o retorno do América à elite do futebol carioca, após quatro anos de ausência. Uma conquista regada a sangue, suor e muitas lágrimas. Decisivo no triangular final da Série B, ele fez dois gols, dos seis que marcou, deu duas assistências e provou que tem futebol para ir bem mais longe.

Nada mal para quem arriscou a carreira ao ficar dois anos sem jogar. Só não parou de vez, porque foi resgatado da desilusão pelo técnico Arthurzinho.

“Ele estava descrente, o futebol é ingrato. O Léo foi julgado e ficou marcado por um lance isolado, como se fosse o fim do mundo.Tem muito potencial, qualidade e tudo para estourar. Fico feliz pelo sucesso dele. O Léo merece”, elogia Arthurzinho, que o incentivou nos momentos mais difíceis no América.

SUPERAÇÃO DAS CRÍTICAS

Apesar da habilidade e visão de jogo, a torcida o acusava de prender demais a bola. “Eu entrava em campo para aquecer e já era vaiado. Não é em todo jogo que você se sobressai. Fui muito criticado, mas entendo. Faz parte da paixão, eram três anos batendo na trave”, pondera Léo.

Neste domingo, o camisa 10 quer muito mais: “O principal objetivo era o acesso e foi atingido. Agora vamos com tudo para cima da Portuguesa para fechar com chave de ouro e com o título da Série B.”

Uma conquista que terá um gosto muito especial para um garoto que perdeu o pai com 5 anos de idade e, aos 9, driblou o destino traçado pela família no remoto vilarejo de Valão do Barro, no Norte Fluminense: “A minha família tirava leite em curral de boi, roçava pasto. A vida lá era muito difícil. Eu era pequeno e já ajudava. Via meus tios naquela vida dura e pensava que não queria aquilo.”

NA LUTA DESDE OS 9 ANOS

Sem expectativas, Léo saiu de casa com 9 anos para tentar a sorte no futebol. Até os 15, morou em Santa Maria Madalena, na casa do empresário. Depois foi parar no Madureira, onde jogou no infantil e juvenil. Mas só foi subir para o profissional no Olaria, graças a Arthurzinho, que o promoveu dos juniores. A estreia foi inesquecível: 3 a 0 em cima do Flamengo, na Taça Guanabara de 2005. “Participei dos três gols e fui o melhor em campo. Dali eu saí para o mundo”, relembra.

Com contrato perto do fim, Léo não esconde um desejo antigo. “Não é por dinheiro e nem ambição, mas meu sonho era jogar em um time grande no Brasil. Já joguei em equipes de ponta no Azerbaijão e na Venezuela, mas pouca gente ia ao estádio, não é como aqui. Gostaria de sentir a emoção de ouvir a torcida gritando o meu nome”, confessa com o olho brilhando o filho ilustre de Valão da Terra.

“Saí com 9 anos de um lugar que não tinha nem luz. Conheci 12 países, ganhei em dólar, euro. Eu já me considero um vencedor. O que vier agora é lucro”, aposta.

Postado por mvieira às 5:22 pm