Após sofrer o 5º tento, o Fla senta em campo

Por: Bernardo Argento

Publicada em 25 de novembro de 2014

Em 1941, o inusitado protesto do Flamengo contra a arbitragem

Em 1944, o inusitado protesto do Flamengo contra a arbitragem

Flamengo e Botafogo nutrem uma rivalidade centenária. Para apimentar um pouco mais essa relação, o jornalista e professor universitário Paulo César Guimarães decidiu escrever o livro Jogo do Senta: a verdadeira origem do chororô. A publicação relembra os 70 anos da partida do Campeonato Carioca de 1944 em que os rubro-negros desistiram do jogo e sentaram no campo em forma de protesto, após o quinto gol alvinegro, na goleada por 5 a 2. O lance polêmico ocorreu aos 31 minutos do segundo tempo. Os dirigentes do clube da Gávea mandaram a equipe tomar esta atitude alegando que a bola chutada por Geninho não teria entrado: “A bola entrou e o Flamengo sentou”, afirma o jornalista, alegando estar ancorado em caudalosa pesquisa em jornais e livros da época.

“Eu me indago: é melhor sentar ou chorar? O Flamengo sentou e chorou primeiro, há 70 anos”, diz Paulo César Guimarães

O subtítulo citando o “chororô” parece uma resposta ao tricampeonato carioca do Flamengo sobre o Botafogo, nos anos de 2007, 2008, 2009. Mais especificamente em relação à final da Taça Guanabara de 2008, quando o árbitro Marcelo de Lima Henrique anotou um pênalti a favor do clube da Gávea. O fato gerou muita reclamação dos botafoguenses, que surgiram aos prantos na entrevista coletiva após o duelo, vencido por 2 a 1 pelo rubro-negro. O episódio motivou a criação da famosa música cantada pelos flamenguistas nas arquibancadas: “E ninguém cala esse chororô, chora o presidente, chora o time todo, chora o torcedor”. O jornalista não nega que a publicação, em parte, seja uma reação contra os rubro-negros.

“Eu me indago: é melhor sentar ou chorar? O Flamengo sentou e chorou primeiro, há 70 anos. O livro faz um resgate histórico de uma partida importante para os dois clubes, mas também tem um gostinho de resposta ao chororô. Vale lembrar que o Botafogo só chorou porque vinha sendo constantemente prejudicado pela arbitragem. Em 2007, na final do Carioca contra o Flamengo, o bandeirinha anulou um gol legal do Dodô e o árbitro o expulsou em seguida. Depois, a equipe foi prejudicada na Copa do Brasil. Então, o choro foi uma espécie de desabafo da equipe depois de tantos erros”, analisou.

Apesar da diferença entre a quantidade de torcedores e número de títulos conquistados, Paulo César Guimarães acredita que o clássico entre Flamengo e Botafogo é o de maior rivalidade do Rio de Janeiro. Para confirmar sua tese, o professor universitário relembra entrevistas de Zico e do ex-presidente rubro-negro Antonio Augusto Dunshee de Abranches, mandatário do clube na década de 1960. Sem medo de um ufanismo pouco condizente com a atual situação do alvinegro, o autor defende sua tese: “Se você entrar no Google ou Youtube, verá que o Zico dizendo que odeia o Botafogo, por tê-lo feito sofrer na infância. Foram muitas as derrotas nos clássicos diante do Glorioso. O ex-presidente rubro-negro Dunshee de Abranches também demonstrou seu desgosto pelo Botafogo depois de Mendonça humilhar o lateral-esquerdo Júnior, com um drible desconcertante. Não há discussão sobre a maior rivalidade do Rio. Fla-Flu é só perfumaria, pela sonoridade. O Tricolor é um time simpático, não faz mal a ninguém. Vasco e Flamengo têm as maiores torcidas, mas a rivalidade entre eles se deve ao Eurico Miranda, que aproveitou o jejum de títulos do alvinegro para promover este clássico. Os jovens desinformados acreditam nisso. Mas não há dúvida que a grande rivalidade é entre Botafogo e Flamengo”, encerra, deixando transparecer sua paixão pelo time da estrela solitária, hoje cadente, e, por tabela, o respeito ao rival de maior torcida.

Nos anos 1940, Popeye representava o Flamengo e o Pato Donald, o Botafogo

Nos anos 1940, Popeye representava o Flamengo e o Pato Donald, o Botafogo

 

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