Publicado em 18 de março de 2015

Entre o torresmo e a moela

Pé sujo, sujinho, imundo ou espelunca, o botequim é uma instituição carioca. Resiste bravamente ao avanço de ambientes insípidos e inodoros, de inspiração paulistana, que se espalham pela cidade. Aquele espaço de quinta categoria – referência que pode ser crítica ou elogiosa, dependendo de quem fala e de quem ouve –, ainda com suas mesas de ferro e tampo de mármore e seus copos americanos, os melhores para encorpar a cerveja, e seus banheiros com limpeza pra lá de suspeita sobrevive em todo o Rio de Janeiro.

Foi neles que O DIA pensou como cenário para este ensaio fotográfico, um brinde que encerra a série ‘Olhares do Rio’, do projeto Rio 450 Anos. Alexandre Brum foi o escalado para a homenagem. Ele queria ser piloto de avião. Concluiu a fase teórica do curso preparatório, mas a grana reservada para as aulas práticas escorreu pelo ralo. Tinha um carro velho e pretendia vendê-lo para bancar as despesas, mas um ladrão foi mais rápido e pôs fim ao sonho de viver nas alturas.

Pés no chão, buscou inspiração num amigo e na mãe. “Ela era fotógrafa amadora. Ao longo da minha infância e adolescência registrou nossa vida familiar no Rio e nas viagens que fazíamos”. Um amigo de infância, Carlos Brand, comprou uma câmera Zenith, que trocava lentes, com a qual registrou a breve carreira de surfista de Brum.

Carioca do Lins de Vasconcelos, onde nasceu e foi criado, Brum, 45 anos, foi contínuo e escriturário do Banco Nacional, de triste memória, e guarda judiciário do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro antes de abraçar para sempre o fotojornalismo. Publicou pela primeira vez num jornalzinho chamado “O Testemunho de Fé”, feito numa saleta da Igreja Nossa Senhora do Amparo, em Cascadura. “O Testemunho”… foi o embrião do jornal oficial da arquidiocese da cidade.

Concluiu o curso técnico de Fotografia do Senac e logo conseguiu um estágio no Povo. Andou pelo finado Jornal dos Sports e, desde 2001, trabalha no DIA. Gosta particularmente de cobrir Esportes e Cidade e tem o olhar afiado para a celebração carioca. Tem mesmo.

 

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