twitterfeed
PUBLICADO EM 08.12.2016 - 13:09

“Foi frustrante ficar vendo o meu time perder, com as mãos atadas”

Foto Arquivo Pessoal

Foto Arquivo Pessoal

A sensação em relação ao jogo contra as chinesas, pelas quartas de final dos Jogos Olímpicos do Rio, é de impotência. Mais de três meses após a eliminação brasileira, Thaisa não esconde a frustração por não ter estado mais tempo em quadra. Mas ela reencontrou a alegria na Turquia. Morando em Istambul com o marido, Guilherme, a bicampeã olímpica festeja a primeira experiência no exterior na carreira, pelo Eczacibasi. “Depois que cheguei aqui, foi que vi o quanto essa experiência era melhor do que eu imaginava”, conta.

Você já havia recusado propostas para atuar fora do Brasil e agora, aos 29 anos, está disputando uma temporada no exterior pela primeira vez na sua carreira, jogando pelo Eczacibasi. A experiência na Turquia era o que você imaginava antes de embarcar? 

Thaisa: “Tive outras propostas e confesso que, hoje, se eu soubesse que minha experiência seria tão boa, teria vindo antes. Depois que cheguei aqui, foi que vi o quanto era melhor do que eu imaginava. As pessoas são muito receptivas, as meninas e o clube são incríveis, e me surpreendi bastante com a facilidade que tive de me adaptar. Até achei que a cultura seria diferente, mas não vejo nada de tão absurdo. Antes de embarcar tive um pouco de receio e o que mais me surpreendeu é que se fala muito da violência, mas hoje vivo mais tranquila aqui do que vivi em São Paulo ou no Rio de Janeiro”.


Várias jogadoras brasileiras já atuaram na Turquia. Antes de acertar com o Eczacibasi, você conversou com elas sobre essa experiência?

Antes de vir para a Turquia perguntei para as meninas como elas se adaptaram, como era o treinamento, e sempre recebi respostas bem positivas. E isso foi uma coisa que me encorajou bastante.

Como é o seu dia a dia em Istambul? O que foi mais fácil e o que foi mais difícil na adaptação à cidade?

Meu dia a dia é igual ao que eu tinha em São Paulo. Praticamente a mesma coisa: treinamento, tudo bem parecido como no Brasil. E faço outras coisas normais: ir ao mercado, limpar a casa, fazer o café da manhã, tudo normal. Nada diferente do que eu já fazia. Uma diferença é que aqui se fala inglês, o que estranhei um pouco no início. Com a bola, jogando, era praticamente automático soltar algumas palavras em português, mas agora já está bem mais tranquilo. Já me adaptei. Mas também não foi algo que me atrapalhou. Mas era até engraçado porque saía, sem querer, algumas palavras em português durante os treinos.


Três meses após a eliminação na Olimpíada do Rio, qual é o seu sentimento em relação ao jogo contra as chinesas, pelas quartas de final dos Jogos?
 

Uma sensação de impotência. Nos dois primeiros sets em que pude jogar, em que estava em quadra, estávamos ganhando o jogo, e tinha boa pontuação até então. Depois disso, nos primeiros pontos do terceiro set, fui sacada da partida, e a partir daí não pude fazer nada. Foi frustrante ficar vendo o meu time perder, com as mãos atadas, porque não voltei para a quadra. Sobre o meu rendimento individual, a minha sensação é de dever cumprido. Mesmo tendo me machucado durante a preparação, quando fui acionada pelo técnico, fiz a minha parte.


Após a Olimpíada do Rio, você revelou insatisfação por não ter jogado tanto durante a competição e disse que, se não houvesse mudança, poderia não defender mais o Brasil. Qual é o seu pensamento hoje em relação à Seleção?
 

Não estou pensando em Seleção agora. Estou totalmente focada na minha equipe e em vencer todas as competições que disputarmos. Estou muito feliz, jogando em paz e isso é o que mais importa. Vir para a Turquia, viver essa experiência, foi a melhor escolha que eu poderia ter feito.

Thaisa mora em Istambul com o marido, Guilherme. Foto Arquivo Pessoal

Thaisa mora em Istambul com o marido, Guilherme. Foto Arquivo Pessoal

Publicidade