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PUBLICADO EM 17.03.2017 - 9:11

Os sonhos nutrem a vida: mitos e verdades sobre o sono

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Dormir bem é um dos três pilares de uma vida saudável, juntamente com uma dieta balanceada e exercícios físicos regulares. Existem cerca de 100 distúrbios de sono, sendo a maioria tratável com a ajuda de especialistas da área. Uma boa qualidade de sono está relacionada a menores taxas de pressão alta, diabetes, obesidade e outras doenças crônicas. A falta de sono ou um sono de má qualidade impactam negativamente a atenção, memória e aprendizado.

“Os problemas de sono constituem uma epidemia global que compromete a saúde e a qualidade de vida da população. A conscientização profissional e pública são os primeiros passos para a ação”, afirmam especialistas. O World Sleep Day, comemorado na sexta-feira (17 de março), nasceu como uma iniciativa da Associação Mundial de Medicina do Sono (World Association of Sleep Medicine – WASM) que pretende conscientizar as pessoas sobre os reflexos de uma boa noite de sono na saúde.

Mais tristeza, mais drogas

Um estudo publicado no Journal of Youth and Adolescence mostrou que a cada hora a menos de sono na adolescência, o risco de sentir tristeza aumenta em 28%, o de apresentar pensamentos suicidas aumenta em 42% e de usar drogas aumenta em 23%. “O que acontece é que dormir mal afeta as funções executivas do cérebro, que na adolescência está em fase de maturação. Como resultado, podem surgir dificuldades acadêmicas e mudanças de comportamento, deixando o adolescente mais irritado, agressivo e desatento”, afirma a neuropsicóloga Fernanda Queiroz.

Para a neuropsicóloga, há ainda outra explicação para o aumento das queixas de insônia. “Nos últimos anos, o Brasil está enfrentando uma crise econômica sem precedentes, levando muitas pessoas ao desemprego. Quem ainda está empregado, enfrenta o medo de perder o trabalho. Soma-se a isso a violência urbana e a agitação dos grandes centros urbanos como fatores de risco para a insônia”, comenta.

Tipos de insônia

Estima-se que há mais de 100 tipos de distúrbios do sono, sendo que a maioria pode ser prevenida e tratada. Entretanto apenas 30% das pessoas que têm algum problema para dormir procuram ajuda. “Há várias razões para esse baixo índice. A insônia não é caracterizada apenas pela incapacidade de conseguir dormir. Quem desperta várias vezes durante a noite e sente que o sono não foi restaurador no dia seguinte, também sofre de insônia e pode nem se dar conta disso”.

A psicóloga explica que a insônia é um sintoma que pode ocorrer isoladamente ou acompanhar uma doença. “Os transtornos ansiosos e do humor, em geral, afetam a qualidade do sono. ‘Por isso, é comum encontrarmos a insônia com um sintoma importante da depressão, da ansiedade e de outros transtornos do humor, por exemplo,”.

“Como tudo que fazemos na vida, dormir também tem uma ação específica no organismo e é tão importante quanto as nossas outras necessidades fisiológicas. O sono atua na restauração de processos químicos e físicos danificados ao longo do dia, além de agir no equilíbrio e na conservação da energia. Tem papel fundamental ainda na memória e na conservação dos neurônios”, explica Fernanda.

Mitos e verdades sobre o sono

Alfredo Lara, otorrinolaringologista e um dos especialistas da Clínica de Sono do Hospital CemaA, esclarece alguns mitos e verdades sobre o sono para ajudar o repouso dos brasileiros:

Dormir bem é igual a dormir 8 horas

MITO. Uma boa noite de sono deve fazer você se sentir plenamente descansado e recuperado ao acordar. O ciclo do sono tem cinco fases, com duração de 90 a 120 minutos;  em média, passamos 5 vezes pelo ciclo completo durante uma noite. Mas é importante lembrar que o sono muda durante a vida – os bebês dormem entre 10 e 18 horas/dia, as crianças entre 10 e 12 horas, adolescentes 10 horas em média, enquanto os adultos em geral dormem de 7 a 9 horas e os idosos cerca de 6 horas. “Mais importante do que a duração, é a qualidade do sono”, ressalta o especialista do Hospital Cema.

É preciso dormir mais aos finais de semana para repor o sono

MITO. O sono não é uma caderneta de poupança. Há estudos que mostram que para repor uma noite de sono é preciso três noites bem dormidas, imediatamente após. Dormir até mais tarde aos finais de semana não ajuda a repor o sono. Pelo contrário, um dos hábitos saudáveis para dormir melhor é ir para a cama e levantar todos os dias no mesmo horário.

As mulheres precisam dormir mais que os homens

MITO. Embora se fale muito no sono da beleza (a pele realmente se renova enquanto dormimos), a necessidade entre homens e mulheres é bem parecida.

Uma noite mal dormida vai impactar o dia seguinte    

VERDADE. Cansaço, baixa de energia, falta de concentração, dor de estômago, indisposição geral, aumento dos níveis de pressão sanguínea, aumento do peso corporal, falta de liberação de hormônios sexuais e queda de libido, fraqueza, aumento dos riscos de infarto, derrame e arritmia são apenas alguns dos sintomas que você pode enfrentar durante todo o dia após uma noite ruim.

Tomar café à noite não vai te deixar dormir

VERDADE. Não só o café, mas refrigerantes com cafeína ou guaraná e mesmo o uso de energéticos e complementos pré-treinos, cada vez mais comuns nas academias, precisam ser evitados.

TV no quarto atrapalha o sono

VERDADE. TV e qualquer aparelho eletrônico como smartphones, tablets e notebooks são inimigos do bom dormir. O sono é regulado pelo ciclo cicardiano de claro e escuro, por isso é importante desligar a TV e os outros gadgets até 1 hora antes de ir dormir e deixar o quarto escuro durante a noite.

Banho quente ajuda a relaxar e dormir melhor

MITO. O banho vai elevar a temperatura corporal, e a temperatura ideal para induzir o sono é entre 19º e 20º. “É melhor usar esse truque para relaxar no início da noite e se dedicar às atividades mais tranquilas na hora de ir para a cama, como ler um livro” recomenda o Dr. Alfredo Lara.

É mais fácil dormir depois do sexo

VERDADE. Os níveis de oxitocina são elevados após o sexo e também ajudam a ter uma boa noite.

Fontes: Associação Brasileira do Sono (ABS), Associação Brasileira de Medicina do Sono (ABMS), Associação Brasileira de Odontologia do Sono (Abros), e Hospital Santa Paula (SP)

 

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